quinta-feira, 2 de junho de 2016

A obra de António de Azevedo como professor e artista (arquitecto, escultor, desenhador artístico e urbanista)

O professor

Escola Técnica Francisco de Holanda, onde foi Director e Professor

Escola Secundária Francisco de Holanda , na actualidade (Guimarães)

Busto de figura feminina (Colecção da ESFH, Guimarães)



O arquitecto e urbanista

Monumento ao Gravador Molarinho, Lg. Condessa do Juncal (Guimarães)
Arquitetura António de Azevedo; Escultura A. Teixeira Lopes

Monumento a Alberto Sampaio, Lg dos Laranjais (Guimarães)
Arquitetura e escultura de António de Azevedo e filho Gil Azevedo

Projecto do Monumento a Martins Sarmento, Lg. do Carmo (Guimarães)
Arquitetura e escultura de António de Azevedo

Arranjo urbanístico do Largo do Carmo (Guimarães)


O escultor

"Faunito", Alameda de S. Dâmaso (Guimarães)
Arquitetura e escultura de António de Azevedo

António de Azevedo esculpindo "Florinda", após o seu regresso de Paris


Busto de homenagem a Torres Carneiro, Hospital da Misericórdia (Guimarães)
Arquitetura e escultura de António de Azevedo

Inauguração do Monumento a Martins Sarmento, Lg. do Carmo (Guimarães)

Busto de António Carneiro

O desenhador artístico (Colecção da S.M.S. - Guimarães)





O professor e artista: apreciações sobre a sua obra e personalidade

"Conhecendo Paris primeiro que Lisboa, ali estudando e posteriormente caldeando o seu talento com os dos moços artistas seus contemporâneos que tiveram o cuidado de imbuir as explosões do seu talento modernista com as raízes da originalidade genuína da raça, António de Azevedo trouze à escultura portuguesa o lirismo e a espiritualidade dos quais andava tão arredada com os surtos positivistas do realismo académico, influenciados pela filosofia cientificante da Arte do francês H. Taine.
Cedo compreendeu que a Arte não pode ser unicamente o “ofício”, a actividade oficinal, ideia tão grata a muito escultores e pintores do período de transição do séc. XIX para o XX, baseada aliás no fabricismo revolucionário da época. (…)
Amando a Arte com a veemência própria dos espíritos de eleição, nunca a submeteu a outros princípios que não fossem os do seu idealismo, mantendo-a livre de acorrentamentos perniciosos."

SOARES, Américo - Um grande Artista. Notícias de Guimarães, 27.04.1968 

“Professor do ensino técnico durante algumas dezenas de anos, primeiro no Porto e depois em Guimarães, onde dirigiu devotadamente, com o zelo e o carinho de um sacerdócio, a sua Escola Industrial e Comercial, ele ganhou legitimamente o direito ao título de cidadão vimaranense pelo interesse que nunca deixou de mostrar pelas gentes, pelas coisas, pelos valores e pelos problemas da velha cidade.”

MENDONÇA, Aníbal - Crónica de Braga. O Primeiro de Janeiro, 05.05.1968


"O busto de meu Pai, que tenho a sorte de possuir, admirável, definitivo como retrato e como obra de arte. A maneira como realizou o seu olhar, olhar que não se vê mas que se sente, que está lá, penetrante, aqueles olhos de meu Pai que nos penetravam, que iam até ao fundo de nós mesmos, deu-no-los o António de Azevedo sem os lá pôr.
Não há olhos há olhar, o que é mais verdadeiro ainda. (…)
O seu nome deve figurar no primeiro plano dos escultores portugueses."

Porto, Novembro de 1964

Carlos Carneiro


"Para além do António de Azevedo professor, esteve sempre bem distinto o António de Azevedo escultor e o investigador vigoroso e seguro. O professor, na sua concepção, não se pode afastar da vida e para isso é necessário que mantenha um contacto permanente e um convívio produtivo com a mesma, ainda mais se é artista."

SOARES, Américo - Um grande Artista. Notícias de Guimarães, 27.04.1968


"Fez da sua sala de aula atelier para as suas obras de arte; as suas horas livres gastou-as unicamente no estudo e inventário do património artístico do Termo de Guimarães."

VIMARANES, Pedro de - A identidade vimaranense de António de Azevedo. Notícias de Guimarães, 27.04.1968, p. 1


"Intelectualmente superior, não era o escultor António de Azevedo um homem simples. Entre o homem e o artista houve sempre algo de diferente. Ouvindo-o, irónico e muitas vezes rebarbativo, a mim próprio perguntava: onde estará o escultor de maravilhosas cabeças de mulher, de sorriso confiante, meiga expressão de olhar, repousantes e mesmo de sã ingenuidade?"

FARIA, Mota Prego de - Dissonância. Notícias de Guimarães, 27.04.1968


"As figuras que modela, esbeltas, graciosas e decorativas, requerem jardins, silêncios de lagos ou mistérios de campos-santos. Em Guimarães deixou gravadas algumas destas composições, ora em cemitérios, ora em jardins de sabor antigo e íntimo. O monumento a Martins Sarmento, de discreta arquitectura. é um resultado estético das suas comoções plásticas, assim como a Fonte do Sátiro. O grupo Dançarinas, aqui reproduzidos, que é, sobremaneira, uma combinação de ritmos, à maneira de Joseph Bernard, escultor francês, que sempre impressionou o nosso artista. Todavia os mármores reproduzindo cabeças de raparigas simples, tipos populares que ele elegantiza e até intelectualiza na sua expressão total, seriam suficientes documentos para firmar um nome com segurança, se Portugal não fosse um país descuidado com os seus autênticos valores, que deixa estiolar pelos buracos das províncias e raramente coloca nos patamares da justiça, ocupados por outros mais astuciosos sem que ninguém se aperceba do logro ou tenha coragem para os deslocar e pôr em seu devido lugar.
(…)António de Azevedo multiplica-se constantemente. Dirige uma escola, importante, ensina desenho a inúmeros operários, é arquitecto, cultiva a arqueologia artística, faz parte de comissões de arte e de ensino, e nunca deixa de esculpir, embora lhe sejam raros os ensejos e as emulações para a criação da obra que sonhou. Além dos bustos femininos a que me referi, é também autor dos retratos dos pintores António Carneiro e Joaquim Lopes, do médico Magalhães Lemos, do industrial Álvaro Miranda e ainda doutros mais, retratos admiráveis onde a transmissão psicológica é notável, podendo ser contado entre os melhores retratistas portugueses."

MACEDO, Diogo de - A obra do escultor António de Azevedo. O artista de valor, tão mal reconhecido. Ilustração, n.º 324, Lisboa, 1939, pp. 20-21



Investigação de António Conde

Sala de Fundo Local e Regional Armando de Matos, Junho 2016