quarta-feira, 1 de junho de 2016

A obra de António de Azevedo como arqueólogo, ensaísta e crítico de arte














O arqueólogo, ensaísta e crítico de arte: apreciações sobre a sua obra

“E quantas mais Obras que a sua Arte esculturou e que, para sempre, ficarão a emocionar as gerações?...
Porém, não é apenas pelo seu labor plástico que coevos e provindouros se sentirão ligados a António de Azevedo ou à sua memória, mas ainda porque o Artista tem sido, simultaneamente, um notável arguto e operoso crítico de arte.
Pela sua pena perspicaz, ficaram arrumadas, de uma vez, algumas hesitações antigas, como aconteceu com o chamado Colosso de Pedralva que foi forçado, pelo crítico, a desertar da sua mitológica posição de Príapo, para, mais comezinhamente e mais cristãmente, se contentar com a subposição de João Baptista. Arrumação definitiva também a deu, António de Azevedo, à identificação das figuras laterais do janelão da Oliveira, que andava errada. Em outros casos contraditandos; como é o caso das figurinhas tocadores de olifantes, que se vêem esculpidas em modilhões e capitéis românicos, julgadasm, por alguns, como documentos plásticos da gesta de Roncesvalhes, a sua intervenção não terá sido tão definitiva, mas, nem por isso António de Azevedo deixou de ser um esclarecido intérprete de certos pormenores da iconografia medieva. Sugestão ousada, talvez, mas sugestão que tanto apetece acreditar é a embaladora justificação daquele senhor barbado que dorme, deitado de lado, no peitoril do janelão da Oliveira, e que o Crítico, sagaz e engenhoso, interpretou como uma estátua de Jessé sobre a qual se teria erguido, outrora, uma verdadeira Árvore de Jessé, de pedra como o patriarca, semelhante àquelas que, de madeira, existem nuns quantos templos nortenhos; e que terá sido destruída por uma das muitas determinações vandálicas de reitores ou de priorados. E que diremos da descoberta e interpretação das duas tábuas primitivas de S. Torcato? E de quantos mais casos de Crítica de Arte e de trabalhos de Escultura se poderia falar ainda?"

MENEZES, Mário de - Um grande artista e um grande crítico. Artes e Letras. Notícias de Guimarães, 27.06.1965


"Nem sempre trabalhava. Lia muito e escrevia. Era crítico de arte, não ressaltando, porém, dos seus trabalhos – e nem tão poucos foram – o deliberado desejo de ferir, de magoar. Expondo com clareza, procurando convencer pela argumentação, fazendo-o por vezes com o calor que a razão e o conhecimento dão, não se vislumbra outro fim que não seja esclarecer, procurar a verdade."

FARIA, Mota Prego de - Dissonância. Notícias de Guimarães, 27.04.1968, p. 1 


"O seu labor, avulso, interpolado, fragmentário, não muito intenso, distribui-se prodigamente pelo magistério, pelas tertúlias de amigos e companheiros, pela sua oficina, pela leitura, pelas suas jornadas de peregrino de templos, sarcófagos, castros e citânias – “Como eram cobertas as casas redondas da Citânia” e “O Pintor de S. Torcato” são outras das suas apreciáveis contribuições de estudioso que lhe ficou a dever o concelho de Guimarães – e só o seu feitio de sonhador e de introvertido, a sua eterna insatisfação, a sua lassitude física, a sua pronunciada tendência de sarcasta, confundida por muitos, sem razão, com o azedume crónico e acutilante, a sua hostilidade a dogmatismos fechados e a inovações deformadoras, a sua tranquila modéstia e a sua descrença de mitos e de privilégios ilícitos não permitiram realmente que nos legasse a maravilhosa obra capaz de lhe granjear uma excepcional posição cimeira na escultura nacional e até na europeia."

MENDONÇA, Aníbal - Crónica de Braga. O Primeiro de Janeiro, 05.05.1968


"António de Azevedo foi Professor e Diretor da Escola Técnica; tarefas mais que bastantes para ocuparem o tempo nornalmente útil dum homem normal,produziu obras de alto valor artístico, como escultor; estudou e alcançou alto nível de cultura e erudição, mormente nos campos da Arqueologia e História de Arte; e praticou, com argúcia e com denodo, a investigação e a crítica.”

CRAVEIRO, José - Jornal Notícias de Guimarães, 27.04.1968


"Contudo, na exaltação do Artista, olvida-se, com frequência, uma faceta importantíssima da sua propensão intelectual; - a de Arqueólogo."

AZEVEDO, Rogério - O Escultor António de Azevedo. Notícias de Guimarães, 27.04.1968, p. 1 


Bibliografia ativa de António de Azevedo na BPMVNG

Os arcos dos paços do concelho de Guimarães : estudo arqueológico,  Guimarães : Câmara Municipal, [19--]. - 19 p. : il. ; 21 cm
Cota:  6123-SP

Um caso de escultura,  [Porto] : [Imprensa Portuguesa], 1948. - 15 p. : il. ; 24 cm
Cota: 97-DM  

Como eram cobertas as casas redondas da Citânia?, Guimarães : Tip. Minerva Vimaranense, 1946. - p. 1-15 : il. ; 23 cm. Separata da: Revista de Guimarães, fasc. 3-4, vol. LV
Cota: 169-DM

O Dr. Manuel Monteiro e a «Chanson de Roland» no românico português, Braga : [s.n.], 1952 (Oficinas Gráficas da Livraria Cruz). - p.1-18 : il., 4 fot. ; 24 cm. - (Edições Bracara Augusta ; 27). Separata de: Bracara Augusta, vol. IV, nº 1 (22)       
Cota:  683-DM

Mais um passo da «Chanson de Roland» no românico português. Braga : [s.n.], 1957. - P. 1-12 : il., 4 fot. ; 24 cm. Separata da: Museu, vol. IV, nº 8, 1945
Cota: 684-DM

O Mausoléu de S. Frutuoso de Braga : Guimarães 1961-1964,  Braga : [s.n.], 1964. - 48 p.
Cota:  2721-SP

O "Monumento Funerário" da Citânia : (nova interpretação),  Guimarães : Tip. Minerva Vimaranense, 1946. - p. 1-19 : il. ; 23 cm - Separata do fasc. 1-2 do vol. LVI da «Revista de Guimarães». 
Cota: 98-DM 

O pintor de S. Torcato,  Guimarães : Câmara Municipal, 1962. - 14, [2] p., [4] f. estampas : il. 
Cota: 7974-SP

Santa Maria de Guimarães : um problema de toponímia e arqueologia artística, [Guimarães] : Câmara Municipal, 1956. - 34 p. : il. ; 26 cm
Cota: 687-DM /7902-SP


Investigação de António Conde


Sala de Fundo Local e Regional Armando de Matos, Junho 2016