terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Carlos Vale, 1911-1991



Carlos Vale em Escritos e Ditos


Local – Santa Marinha

Data – 1911–1991

Sinopse: .

Carlos Santos Vale, nasceu na freguesia de Santa Marinha, na Rua de Cândido dos Reis, a 5 de Fevereiro de 1911, em casa de seus pais, José Ferreira Vale, natural de Tondela e vogal da Junta daquela freguesia e de Belmira Dias dos Santos Vale, natural da Vila da Feira.


Frequentou a escola primária, que na altura funcionava no convento Corpus Christi e depois foi para o Porto onde frequentou o Liceu Rodrigues de Freitas até 1929, tendo como mestres Carlos Santos e Leonardo Coimbra. Concluído o ensino secundário, depois de ter passado pela Escola Passos Manuel, chegou a assistir às aulas de “Desenho Ornamental”.


Enquanto estudante, foi funcionário dos Correios na Estação da Batalha, no Porto.


Em Lisboa, licenciou-se em Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito, como voluntário, tendo como mestres os professores Marcelo Caetano e Artur Montenegro.


Em meados da década de 30 conhece a sua futura esposa, D.ª Virgínia Rodrigues de Matos, filha de um abastado comerciante da Rua Direita. Casou a 14 de Dezembro de 1939 tendo como padrinho, o conhecido pintor Manuel Maria Lúcio, que morava então na residência das Palhacinhas. Foi pai de três filhos, João Carlos de Matos Valle, Manuel Carlos de Matos Valle e Armando de Matos Vallle, que para sua infelicidade, faleceram todos antes dos pais, vítimas de acidentes de viação.


Viveu em Coimbrões, nas cercanias da Estação de Caminhos de Ferro das Devesas e mais tarde a pedido do sogro, Sr. Matos, que então tinha construído uma moradia na Avenida da Republica, mudou-se para essa casa largas décadas. Nos últimos anos da sua vida ergueu uma magnífica vivenda, na Serra do Pilar, onde residiu até falecer.


Advogado de grande prestígio, tinha escritório na Rua do Almada, no nº 36-2º andar, na cidade do Porto, acumulando também a vice-presidência da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, de 1939 a 1945.


Pertenceu à Ordem dos Advogados (da qual foi presidente durante 8 anos), à Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, foi presidente da Assembleia-Geral da Sociedade Portuguesa de Numismática por mais de 20 anos, sócio da Associação de Escritores de Gaia, pertenceu ao Grupo de Estudos Brasileiros, sócio honorário do Círculo Industrial e Mercantil de Vigo e sócio do Instituto de Arqueologia, Etnografia e História de Lisboa.


Permaneceu durante muitos anos, como presidente da Assembleia-Geral da Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal e foi presidente da Assembleia-Geral da Moagem de Gaia. Pertenceu aos Amigos da Serra do Pilar, ajudou a fundar a Associação Cultural “Amigos de Gaia”, Sócio do Rotary Club de Vila Nova de Gaia e colaborador do seu boletim: Após um ano do seu falecimento e em sua homenagem criaram o “Prémio Carlos Valle”, um prémio escolar, dedicado à área do ensino do Direito, no valor de 530.000$00. Administrou durante alguns anos a Fundação Rotária Portuguesa e foi membro do Ateneu Comercial do Porto. Fez parte dos corpos sociais das Creches de Santa Marinha, na qualidade de presidente do Conselho Fiscal e foi sócio honorário da Liga dos Combatentes da Grande Guerra.


Participou ativamente com diversos estudos nos boletins culturais das Associações “Amigos de Gaia” e “Rotary Club de Gaia” e em jornais e revistas, nomeadamente no jornal “O Comércio do Porto”, na década de 60 e no “Comércio de Gaia”, assim como na revista de Etnografia, editada pelo Museu de Etnografia e História. Foi presidente do Rotary Club do Porto-Douro e administrador da Fundação Rotária Portuguesa. Pelas suas qualidades beneméritas foi agraciado com a Grande Cruz de Benemerência da Cruz Vermelha Portuguesa e recebeu a Medalha de Ouro do Vilanovense Futebol Clube (em novo foi jogador deste clube).


Sempre esteve disponível para a comunidade onde vivia, não esquecendo a necessidade de partilhar com o país vizinho conhecimentos e amizades, ajudando a fundar a Associação Galaico-Portuguesa de Intelectuais, Escritores e Artistas, tendo recebido em 1968 a condecoração da “Comenda de Mérito Civil de Espanha” concedida pelo Chefe de Estado General Franco. Além de Espanha, a sua atividade literária ultrapassou as fronteiras até ao Brasil, onde fez parte do Grupo de Estudos Brasileiros, já acima mencionado. Deixou inéditos alguns trabalhos sobre lendas de Gaia, contos tradicionais, várias Conferências e um álbum de várias figuras.


Publicou várias obras de literatura, do género poesia, prosa e teatro, assim como monográficas, entre elas, a monografia de Gulpilhares e artigos de carater etnográfico local, cujos títulos passo a citar: Fumarada; Páginas Ácidas; Jogos Florais; Tradições Populares de Vila Nova de Gaia (Separatas da Revista de Etnografia do Museu de Etnografia e História): Rodas de cantar e bailar, Orações tradicionais, Jogos tradicionais, Passatempos, ditos e parlengas infantis, Romances tradicionais, Adágios e ditados, Adivinhas tradicionais, Os brinquedos tradicionais, As modas tradicionais de Gulpilhares, Contos tradicionais, Crenças e prescrições do povo, Narrações lendárias, Chás e mezinhas populares, A interpretação popular dos sonhos, Ditos e expressões populares; Tradições do Casamento e Superstições do Povo; Escritos e Ditos; o Castelo de Gaia e a Lenda de Rei Ramiro; Baile do José do Egipto; Relicário de Cantigas (2 Vols.); Tipos e Trajos; A Romaria de S. Gonçalo; A Freguesia de Santa Maria de Gulpilhares e algumas separatas com trabalhos de etnografia publicadas durante a 1.ª metade da década de 60: Tradições Populares de Vila Nova de Gaia, Separatas da Revista de Etnografia do Museu de Etnografia e História, da Junta Distrital do Porto: Romances tradicionais, Narrações lendárias, Contos tradicionais ou populares, Adágios e ditados, Adivinhas tradicionais, Ditos e parlengas infantis, Ditos e Expressões populares, Rodas de cantar e bailar, As modas tradicionais de Gulpilhares Orações tradicionais, Crenças e prescrições do povo, A interpretação popular dos sonhos, Ditos e expressões populares, Passatempos, ditos e parlengas infantis, Brinquedos tradicionais e Jogos tradicionais.


Nos últimas anos da sua vida já não se ausentava de Gaia e almoçava com a esposa em restaurantes, na sua maioria perto de casa. Diariamente frequentava o “Café Avenida” confraternizando com alguns amigos como Vilarandelo de Morais e Honório Ferreira.


Faleceu a 30 de Maio de 1991 e o funeral realizou-se da sua residência, à Rua Cabo Borges, n.º 278 para a Igreja de Santa Marinha, em Gaia, às 15:00, no dia 31 de Maio de 1991. Foi sepultado no cemitério de Vilar do Paraíso, em jazigo de família.


No anúncio necrológico do Jornal O Comércio do Porto, assinam a família em 1991: D. Virgínia Rodrigues Matos Vale, esposa; D. Maria Vitória Teixeira Rodrigues Vale; nora; D. Maria Sofia Rodrigues Vale; neta; D. Cristina Rodrigues Vale, neta; Sr. Luís Miguel Ribeiro, neto e o Sr. Dr. Jorge Santos Vale, irmão.


 Remissivas: Figuras ilustres / Escritores gaienses / Autarcas gaienses /Etnografia – V.N. Gaia
 
Bibliografia:
Carlos Santos Valle, In: Almanak de Gaia (1991), Vila Nova de Gaia: Afons'eiro Edições, 1991, p. 10.
Condecorações espanholas : [Carlos Vale], In: O Gaiense. Ano 8, n.º 176 (1 Jul. 1968), p. 1
Perdeu a última “questão”... Carlos Vale deixou o mundo dos vivos, In: O Comércio de Gaia. Dir. José Vilarandelo Morais (Herdeiros). Ano 61, n.ºs 4030 a 4033, (21 Jun. 1991). - p . 2.
SILVA, Humberto Pinho da Silva – Figuras inesquecíveis da nossa terra: Carlos Cale. IN Notícias de Gaia. Ano XIII, n.º 290 (25.11.1999), p. 6: il.
VALE, Carlos, 1911-1991 - O direito de Canadage, In: Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia. - Vol. 2, n.º 14 (Maio, 1983), p. 6-9.
 
 
Sala de Fundo Local, Fevereiro de 2011 (actualizado em Abril de 2013)

Júlio Duarte – no centenário do seu nascimento















Local: Coimbrões, Santa Marinha

Data: 1911

Sinopse: “Filho e neto de pirotécnicos, ele é hoje o continuador de uma tradição quase extinta, que são os bonecos de fogo preso que todos os anos se queimam no Senhor de Matosinhos”. Mas o Sr. Júlio Duarte não faz só fogos de artifício; verdadeiro autodidacta e possuidor de uma cultura invulgar, ele deu a sua colaboração a jornais como O Comércio do Porto e outros, faz versos com forte sabor popular, e dedica grande parte do tempo livre à pesquisa de tudo o que se relaciona com a sua profissão. Assim, o Sr. Júlio Duarte tem vindo, há já quase quarenta anos, a coleccionar todo o tipo de documentação que se relacione com a pirotecnia em Portugal “. A referência supra, registada no ano de 1977 e que respigámos da publicação “Artes e Tradições de Portugal”, espelha, no essencial, a figura que aqui desejamos homenagear no ano do centenário do nascimento. Reporta-se à fase final da vida profissional de Júlio Duarte, a escassos quatro anos do termo de uma intensa actividade no ramo da pirotecnia, numa indústria, à data, ainda muito marcada pelo seu carácter artesanal e criativo. Com a mesma paixão que sempre dedicou à arte do “fogo”, aos seus segredos, mistérios e “historiografia”, o homem então conhecido como o “fogueteiro de Coimbrões”, já amante confesso das artes de versejar, de pesquisar, de historiar, passou a dedicar-se, até à fase final da sua longa vida de nonagenário, ao seu sonho de juventude – a investigação histórica. E assim passou a frequentar com mais assiduidade espaços de cultura desde galerias de arte, a bibliotecas, museus, arquivos, passeios culturais, etc. Foi nessa qualidade que o conhecemos aqui, na nossa biblioteca, na Sala Armando de Matos, pesquisando sobre o passado de Coimbrões, sua terra natal, da sua freguesia e do seu concelho. Exímio conversador, dotado de uma educação irrepreensível, baixo, franzino, era, contudo, um “poço de energia” pela facilidade com que, aos noventa anos, percorria razoáveis distâncias a pé. Não dispensava o chapéu clássico e a pasta, debaixo do braço. Investido na “nova” função de investigador a tempo inteiro passou a fazer parte de algumas associações, nomeadamente a Associação Cultural dos Amigos de Gaia, onde participou activamente nas suas actividades e passeios culturais e em cujo Boletim passou a publicar diversos estudos de história local. Foi sócio fundador e director da Associação de Escritores de Gaia. Participou em diversas antologias com textos e poemas, nomeadamente “Contos e Ditos”, “Se o poeta não dissesse”, “Memória de um rio”. Participou em diversos encontros e seminários com comunicações várias de história local. Foi autor e co-autor de diversas publicações, entre as quais destacamos “Apontamentos monográficos de Coimbrões”, “Antologia do fogo de artifício”, “A igreja de Santa Bárbara de Coimbrões”, “Pirotécnicos da cidade do Porto e da sua região nos séculos XIX e XX”, “Os oleiros de Coimbrões”, “Santos de ao pé da porta”, “Os patronos das ruas de Coimbrões”, “Poesias reunidas de Manuel Almeida Rouxinol”, etc. Foi ainda estudioso e tradutor de textos religiosos, nomeadamente da Igreja Evangélica do Prado, em Coimbrões, onde fez a escola primária e onde professou e dirigiu o “Boletim do Esforço Comum” durante anos.

Júlio Duarte por ele próprio Nasci em Novembro de 1911, na Rua Latino Coelho, em Coimbrões. Vivos, éramos sete irmãos e eu era o segundo. A minha mãe nasceu aqui em Coimbrões e o meu pai era natural de Lamego. O meu pai veio de Lamego para cá trabalhar para a casa do meu avô que tinha uma empresazinha de fogos de artifício e entretanto casou com a filha. (…) Mas eu sou protestante porque na escola de prática que era do Diogo Castro [sic. , eles ao Domingo iam lá à Igreja e eu fui aprendendo e gostando porque naquele tempo a missa era em latim e eu não percebia nada. Eu gostava de ir à minha Igreja. É que na Igreja que eles chamavam protestante era tudo em português. Fiz a escola primária na Escola do Prado que era particular e à tarde tinha aulas secundárias na Escola Comercial Oliveira Martins que, em 1924, funcionava no Palácio da Bolsa. As nossas aulas chamavam-se Cursos Nocturnos. Fiz o 3º ano comercial. (…) Mas eu não gostava daquilo [da oficina de pirotecnia] e aos 18 ou 20 anos pensei em ir para Moçambique para uma missão como ajudante para dar lições de português. A minha mãe disse que se eu fosse morria mais depressa e eu não fui. No ano seguinte, com 52 anos, a minha mãe morreu. Tive de ficar com o meu pai porque eu era o filho mais velho [por morte do irmão primogénito em acidente] e tinha três irmãos que eram ainda menores. E fiquei no fogo de artifício sempre a resmungar. (…) A oficina eram oito casas todas separadas. Em 1992 fecharam. Explodiu tudo. Foi um prejuízo enorme porque até para segurar o pessoal nem todas as companhias aceitam.”


Júlio Duarte – breve biografia Nasceu em Coimbrões em 17.11.1911 e aí viveu e exerceu o seu ofício de fogueteiro até 1981, na Rua das Matas. A oficina continuou sob exploração de seu irmão Manuel Augusto Duarte até à grande explosão e incêndio, ocorrido em 1992. Frequentou a escola primária do Prado, em Coimbrões e o curso nocturno da Escola Comercial de Oliveira Martins. Fez parte da direcção da Beneficência Evangélica do Porto e foi membro do Esforço Cristão do Prado Foi fogueteiro, poeta popular, tradutor e historiador local. Foi pai de dois filhos. Foi um verdadeiro exemplo de autodidacta e de estudioso para quem a aposentação e a velhice significou, ao contrário do habitual, a entrada num percurso de vida intelectual particularmente activa. Faleceu em Vila Nova de Gaia em 2005 e jaz sepultado no cemitério de Coimbrões.

Remissivas: Coimbrões (lugar)/ Fogo de artifício/Fogueteiros/Júlio Duarte. 1911-2005. Coimbrões

Bibliografia e fontes: . Arquivo Municipal de Vila Nova de Gaia - PT/ALL/CMVNG-AMVNG-K-E-01-02/4-033. . DUARTE, Júlio - Pirotécnicos da cidade do Porto e da sua região nos séculos XIX e XX. Concelhos de Gondomar, Maia, Matosinhos, Vila Nova de Gaia e Póvoa de Varzim, Porto, Centro Regional de Artes Tradicionais, 1990. . “Fogos de bonecos”, Vila Nova de Gaia, 1977, in Artes e Tradições da Região do Porto, Publicações Terra Livre, Lisboa, 1985. . http://cdi.upp.pt/cgi-bin/mostra_entrevista.py?doc=E20r#a0, [consultado em 2011. 02.10]

Sala de Fundo Local, Fevereiro de 2011.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Maximiano Lemos – evocação no 150º aniversário do nascimento




Maximiano Lemos






Casa da Palmeira (já demolida) onde viveu Maximiano Lemos



Local: Casa das Palmeiras (Avenida da República), Mafamude Data: 1923 Sinopse: Maximiano Augusto de Oliveira Lemos Júnior, de seu nome, nasceu no Peso da Régua em 8 de Agosto de 1860 e faleceu em Vila Nova de Gaia em 1923. Viveu grande parte da sua vida nesta cidade, então vila, na chamada Casa das Palmeiras, situada junta à antiga agência da Caixa Geral de Depósitos, no lugar onde hoje se encontra a galeria comercial Palmeiras. Em 1875 matriculou-se na Academia Politécnica tendo ingressado, em 1876, na Escola Médico-Cirúrgica do Porto onde concluiu o curso de Medicina e Cirurgia, em 16 de Julho de 1881, com a dissertação “A Medicina em Portugal até aos fins do século XVIII (Tentativa histórica)”. Nos seus tempos de estudante criou diversas composições poéticas, publicadas em periódicos da época ou recitadas e distribuídas em saraus, como foi o caso do sarau realizado em Setembro de 1880, no antigo Teatro Baquet, a favor do Centro Artístico Portuense, agremiação criada pelo escultor Soares dos Reis e outros artistas de mérito. Em 1881 foi convidado para substituir o Dr. Azevedo Maia, no Posto Médico-Cirúrgico do Porto, na Rua das Oliveiras, lugar que ocupou durante dois anos. Em 1 de Março de 1883 foi nomeado cirurgião-ajudante do exército e colocado em Estremoz. Passou ainda pelo quartel de Caçadores nº 9, no Porto e já como cirurgião-mor, pelo regimento de Infantaria nº 24, em Pinhel. Todavia como cedo foi acometido de problemas de audição foi submetido a junta médica que o julgou inapto para o serviço militar e o colocou na reserva como tenente-coronel. Em 1889 passou a ocupar uma vaga de substituto da secção médica e em 1895 foi promovido a lente proprietário de Medicina Legal na Universidade do Porto onde regeu, até 1900, a cadeira de Patologia Geral, onde a história da medicina era leccionada. Em 1916 a cadeira de História da Medicina ganharia autonomia sendo a respectiva regência entregue a Maximiano Lemos. Entre 1918 e 1922 foi Director da Faculdade de Medicina do Porto e Vice-Reitor da Universidade do Porto. Foi ainda Sócio Efectivo e Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Porto e sócio correspondente da Sociedade de Medicina e Cirurgia da Baía, da Academia das Ciências de Lisboa, da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, e da Sociedade Alemã de História da Medicina e das Ciências Naturais de Leipzig. No Porto foi presidente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras, da Associação Médica Lusitana e mesário da Misericórdia, exercendo funções de direcção no Hospital de Santo António. A sua vivência em Vila Nova de Gaia Ainda na década de 80 do séc. XIX fixou-se em Vila Nova de Gaia, na já referida casa das Palmeiras, à Avenida da República, onde constituiu família. Abriu consultório, em 1885, no nº 274 da Rua de General Torres e em 1893 na Rua da Fervença, nº 64. Fez parte de diversas comissões promotoras do progresso da terra gaiense. Fez também parte da vereação gaiense nomeada pelo governo sidonista.

A carreira de investigador Como investigador especializou-se no estudo da História da Medicina em Portugal tendo publicado os seguintes títulos: “Anuário dos Progressos da Medicina em Portugal” (em 1884, em Estremoz); “Arquivos de História da Medicina Portuguesa (1886); “História da Medicina em Portugal – Doutrinas e Instituições” (1899); “Amato Lusitano – a sua vida e obra” (1909); “Ribeiro Sanches – a sua vida e obra” (1911); “História da Medicina Peninsular” 1916); “ Gomes Coelho e os médicos” (1922); “História do Ensino Médico no Porto”, obra que deixou incompleta e que foi acabada pelo Prof. Hernâni Monteiro e publicada em 1925. Dirigiu ainda a monumental obra da “Enciclopédia Portuguesa Ilustrada”, o primeiro dicionário editado em Portugal, comparável ao Larousse e cujo primeiro fascículo foi publicado em Abril de 1899. Foi ainda um dedicado investigador camiliano tendo publicado a obra “Camilo e os Médicos” onde traçou a biografia dos principais médicos da vida de Camilo. Na cidade da Régua, sua terra de nascimento, existe uma biblioteca em que Maximiano Lemos figura como patrono, a qual foi inaugurada em 3 de Dezembro de 1960 na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, por ocasião das comemorações do centenário do nascimento daquele insigne filho da terra. Maximiano Lemos faleceu em Vila Nova de Gaia em 6 de Outubro de 1923, após um resignado sofrimento devido à degenerescência maligna de uma placa de leucoplasia lingual que lhe retirou a fala. O município gaiense inscreveu o seu nome na toponímia gaiense na zona do Bairro das Pedras, da freguesia de Mafamude. Remissivas: Vereação gaiense no período republicano Gaienses ilustres História da Medicina Lemos Júnior, Maximiano Augusto de Oliveira. 1860-1923. Médico. Peso da Régua Bibliografia: http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/biblioteca-de-maximiano-lemos.html. – [Consultado em 2011.01.03 ] http://museumaximianolemos.med.up.pt/index.php?src=page13.html. – [Consultado em 2011.01.03] PINHO, José Augusto; Dr. Maximiano Lemos : gaiense de adopção, In: Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia. - Vol. 4, nº 30 (Dez., 1990), pp. 25-27. SALES, Amadeu; Acerca de um notável posto médico portuense; In: O Tripeiro, nº 8, Dezembro 1956, V Série, Ano XII, pp. 230-234. Sala do Fundo Local, Janeiro de 2011.