terça-feira, 27 de abril de 2010

29 de Março de 1809 - Evocação do desastre da Ponte das Barcas


O dia 29 de Março é recordado, particularmente pelas populações ribeirinhas do Porto e Vila Nova de Gaia, com um dia de luto. Com efeito foi nesse dia do ano de 1809 que se deu o tristemente célebre desastre da “Ponte das Barcas” que culminou com a morte de cerca de 4.000 pessoas.
Naquela era estava ainda presente nas gentes do Porto e arredores a memória recente da passagem dos franceses pela cidade. Em 13 de Dezembro de 1807 as tropas francesas haviam entrado, pela primeira vez, no Porto e aí permaneceram até 18 de Julho de 1808, data em que foram expulsos. Ao Porto voltaram ainda fugazmente as tropas do General Junot.
Em 12 de Março de 1809 o general Soult entrou em Portugal, por Chaves, e dirigiu-se ao Porto onde entrou em 27 de Março. A cidade foi conquistada e saqueada pelas tropas francesas, havendo focos de resistência por parte das populações. A cavalaria francesa entrou na cidade, depois de romper as trincheiras do Monte Pedral, a norte, e perseguiu o povo em fúria até à Ribeira.
Da Serra do Pilar as tropas portuguesas ripostaram como puderam. O povo em fuga dirigiu-se em grande número para a “Ponte das Barcas” tentando passar para o lado de Gaia. Perante a fragilidade da ponte e a imensidade de gente que a atravessava aquela cedeu e alguns milhares de pessoas caíram e pereceram nas águas do Douro.
Após esta tragédia Soult, instalado no Palácio das Carrancas e querendo ganhar a simpatia dos portuenses, proibiu novos saques, mandou patrulhar as lojas, mercados e igrejas para evitar novas pilhagens, isentou os povos do direito de portagem e mandou distribuir sopa às pessoas carenciadas.
No dia 12 de Maio Soult foi batido no Porto pelas tropas anglo-lusas, comandadas pelo Duque de Wellington e foi obrigado a retirar para Espanha, atravessando em 18 de Maio a fronteira em Montalegre, acabando assim a segunda invasão francesa.

Memória da tragédia da Ponte das Barcas
Para perpetuar a memória do desastre da Ponte dos Barcas todos os anos, no dia 29 de Março, saía em procissão a Irmandade de S. José das Taipas, que se dirigia para a Ribeira, para sufragar as almas da ponte.
No mesmo local existe um pequeno monumento evocativo, da autoria do escultor gaiense Teixeira Lopes (Pai), datado de 1897, onde o povo simples da Ribeira, no dia a dia, acende velas em evocação.
No ano passado, por ocasião do bicentenário da tragédia da “Ponte das Barcas” foi inaugurado, pelo Presidente da República, um monumento evocativo, da autoria do arquitecto Souto Moura. A peça, feita em aço patinável, encontra-se no local onde se situava a amarra norte da “Ponte das Barcas”, bem perto da Ponte D. Luís. No local da amarração sul da “Ponte das Barcas” existe uma peça simétrica. As peças em ferro, de oito metros de comprimento, estão cravadas à terra e projectam-se em direcção ao rio.
De acordo com o autor “É um monumento evocativo da Ponte das Barcas e, como uma ponte, tem duas margens e duas intervenções simétricas dos lados do Porto e de Gaia. É uma chapa aplicada no cais que foi dobrada para receber, eventualmente, os cabos de uma ponte".

A Ponte das Barcas
Ao longo dos séculos a comunicação de pessoas e mercadorias entre as margens do Douro era feita através de barcos. Apesar de vários projectos para a construção de uma ponte sobre o rio Douro que servisse as populações do Porto e de Vila Nova de Gaia, nomeadamente o da construção de uma ponte em pedra, da autoria de Carlos Amarante, a primeira passagem seria lançada somente no ano de 1806, tendo sido aberta ao público a 15 de Agosto de 1806, dia de Nossa Senhora do Pilar. Era constituída por 33 barcas, com cerca de mil palmos de extensão e abria e fechava para dar passagem às grandes embarcações que subiam e desciam o rio. Em tempo de cheias a ponte era desmantelada para evitar a sua destruição.

Havia muita concorrência na sua passagem, sobretudo às terças e sábados. Os preços de passagem praticados eram os seguintes:

Cada pessoa a pé ……………………………... 5 réis
Cada pessoa a cavalo ………………………..20 réis
Carro de uma junta de bois …………….. 40 réis
Cadeirinhas de mãos ……………………….. 60 réis
Liteira …………………………………………….. 120 réis
Sege ………………………………………………….160 réis

À noite, passados 45 minutos do sol-posto, os preços duplicavam, taxa que se mantinha até 45 minutos antes do nascer do sol, em momento que era anunciado pelo toque de um sino.
A “Ponte das Barcas” revestiu-se de uma enorme importância para o desenvolvimento das comunicações entre as zonas ribeirinhas, mas também no contexto inter-regional, na ligação entre as margens norte e sul do rio Douro.
No entanto, dadas as suas naturais limitações, a crescente necessidade do desenvolvimento das comunicações e a melhoria dos meios técnicos a nível da engenharia de pontes, nos anos 40 de Oitocentos foi projectada nova ponte, a nascente da velha “Ponte das Barcas”. A “Ponte Pênsil”, “Ponte de Ferro”, ou “Ponte D. Maria II”, como foi chamada, sob projecto e execução do Engenheiro Claranges Lucotte, demorou 1 ano, 9 meses e 15 dias a ser construída e abriu subitamente ao público no dia 18 de Fevereiro de 1843, em virtude de uma grande cheia que obrigou ao apressado desmantelamento da velha ponte móvel.

2010.03.29.



Bibliografia:
Descrição Topográfica de Vila Nova de Gaia por João António Monteiro de Azevedo, acrescentada por Manuel Rodrigues dos Santos, 2º edição, Porto, Imprensa Real, 1881.
Jornal de Notícias, de 2009.03.14.
LIMA, Durval Pires de; Os Franceses no Porto – 1807-1808, Porto, Câmara Municipal do Porto/Gabinete de História da Cidade.
Os Franceses no Porto em 1809 (Testemunho de António Mateus Freire de Andrade). Apontamentos coligidos pelo Conde de Campo Belo, Porto, Câmara Municipal do Porto/Gabinete de História da Cidade, 1945.

RAMOS, Luís A. de Oliveira (dir.); História do Porto, Porto, Porto Editora, 1994.

Dia Internacional da Mulher


 


No dia 8 de Março comemora-se o “Dia Internacional da Mulher”, instituído pela Organização das Nações Unidas em 1977, depois de dois anos antes, ter designado o ano de 1975 como o “Ano Internacional da Mulher”. Em 1979 foi aprovada uma Convenção com vista a eliminar todas as práticas discriminatórias contra as mulheres.
Desta forma pretendia-se chamar a atenção para os preconceitos e discriminações de que a mulher era alvo e operar uma mudança de mentalidades tendo em vista a dignificação do seu papel na sociedade.

Refira-se que o dia 8 de Março já era comemorado desde o princípio do século (mais propriamente desde 1909), o qual foi escolhido, por proposta da alemã Clara Zetkin, numa conferência internacional de mulheres socialistas que decorreu naquela data, na capital da Dinamarca. Pretendia-se, dessa forma, homenagear as operárias têxteis americanas mortas na jornada de luta que decorreu no dia 8 de Março de 1857, na cidade de Nova Iorque, no decorrer de uma greve que culminou num fatídico incêndio de que resultou a morte de mais de uma centena de operárias.
À data as operárias têxteis americanas lutavam pela redução da jornada de trabalho de 16 horas para 10 horas e pelo aumento dos seus salários que não ultrapassavam 1/3 dos magros salários dos homens.
As décadas seguintes serão marcadas pelo reforço da organização sindical do operariado feminino, na luta por melhores condições de trabalho. Em 1908 cerca de 15 mil mulheres manifestaram-se nas ruas de Nova Iorque, reivindicando a redução do horário de trabalho, melhores salários e o direito de voto.
O movimento reivindicativo das mulheres esmoreceu no período entre as duas guerras e da posterior reconstrução europeia e só foi revitalizado pelos movimentos feministas da década de 60, que na senda do movimento de Maio de 1968, ousaram trazer para a rua a discriminação social e política e a violência que impendia sobre as mulheres.
Em Portugal somente depois do 25 de Abril a mulher conquistou a igualdade política reconhecida no exercício do direito de voto que os regimes anteriores lhe haviam negado. O regime salazarista reservou-lhe o papel de esposa e mãe, vedando-lhe o acesso à docência universitária, à política, etc. Havia profissões em que a ocupação de um lugar remunerado carecia de autorização escrita do marido (ex. professora primária, comerciante) ou até em que o acesso à maternidade lhe era praticamente vedado (ex. enfermeiras, hospedeiras de bordo, etc.).
No entanto a lenta mudança de mentalidades foi responsável, já em plena democracia, pela manutenção de resquícios de discriminação feminina, quer praticado no seio familiar, quer a nível social e político. Algumas mudanças vão sendo operados por via legislativa. Assim é já da década de noventa a legislação que lhe reconhece igualdade de oportunidades no acesso a emprego público. Recentíssima é célebre “lei das quotas” que obriga à fixação de um número mínimo de candidatas nas listas para eleição de cargos políticos.
Na actual sociedade portuguesa, apesar das profundas alterações a mulher é ainda vítima de antigas discriminações estando porém sujeita a novas discriminações, como o assédio sexual e moral, o despedimento em situação de maternidade, a violência doméstica, etc.
Por todo o mundo, em pleno século XXI, são, infelizmente, “banalíssimas” as notícias de profunda discriminação das mulheres em certas civilizações, de tráfico de mulheres para o mercado clandestino da prostituição, ou das mulheres ainda obrigados a actos de excisão de cariz religioso em certas regiões africanas, ou de cenas de violência praticada sobre mulheres e crianças em ambientes de guerra, ou no próprio seio familiar.

Mulheres famosas:
Ao longo dos tempos, por todo o lado, muitas foram as mulheres que ousaram vencer barreiras, romper preconceitos, ou ombrear com os homens no acesso a lugares que lhe eram vedados, ocupando lugares de destaque no mundo da literatura, da música, da costura, dos negócios, do ensino superior, etc. A essas, ainda que postumamente, tem a História feito justiça, operando, caso a caso, a sua reabilitação. De igual modo, ainda que em termos modestos, tem sido feita a reabilitação e homenagem colectiva (normalmente baseada na profissão) à mulher anónima que duramente assumiu o tríplice papel de trabalhadora, esposa e mãe.

Evoquemos, por isso, alguns exemplos:

No mundo:
Florence Nightingale (1820-1910), inglesa, enfermeira e voluntária de guerra.
Cosima Liszt Wagner (1837-1930), música e escritora (divorciada).
A bela Otero – Carolina Otero Iglésias (1868-1965), bailarina espanhola, amada por várias monarcas das cortes europeias. Grande benemérita.
Maria Montessori (1870-1952) – primeira italiana formada em Medicina. Grande pedagoga junto das crianças pobres dos bairros de Roma.
Coco Chanel, de nome Gabriela Bonheur (1883-1971) – Criadora de moda francesa, com ligação à criação de perfumes e adereços de toilete.
Elena Dimitrievna Diakova, conhecida por Gala (1894-1982). De ascendência russa, casou com um poeta surrealista francês e viveu com Salvador Dali que muito influenciou.
Anna Freud (1895-1982) – Psicanalista austríaca, filha de Sigmund Freud, foi um das pioneiras em psicologia infantil.
Madre Teresa de Calcutá, de seu nome Agnes Gonxha Bojaxhiu (1910-1997) – nascida na Albânia foi missionária e criadora da congregação das Irmãs da Caridade. Teve um trabalho notável no apoio a leprosos, vítimas de SIDA e mulheres abandonadas. Foi Prémio Nobel em 1979.
Maria Antonietta Macciocchi (1924-2007) – escritora, professora e política italiana denunciou atrocidades cometidas por regimes comunistas.

Em Portugal:
Luísa Todi – Luísa Rosa e Aguiar (1753-1833) cantora de ópera, cantou para as grandes cortes europeias chegando à Rússia de Catarina II.
A Ferreirinha – António Adelaide Ferreira (1811-1896) – grande empresária vinhateira ligada à produção do vinho do Porto após ter ficado viúva, no período da invasão da filoxera.
Palmira Martins de Sousa Bastos (1875-1967) – filha de gente modesta, tornou-se numa das actrizes mais respeitadas do teatro. Foi grande amiga da rainha D. Amélia.
Maria Lamas – Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas (1893-1983) – escritora e interveniente política foi perseguida pelo regime salazarista que a forçou ao exílio. Foi umas das militantes da causa da emancipação da mulher em Portugal.
Sara Afonso (1899-1987) – Pintora e ilustradora, foi esposa do pintor Almada Negreiros. Foi a primeira mulher a frequentar um café exclusivamente masculino, a “Brasileira do Chiado”.
Ilse Losa (1913-2006) – alemã de ascendência judia, radicou-se em Portugal fugida da perseguição nazi. Foi escritora de literatura para crianças e grande divulgadora da literatura portuguesa na Alemanha.
Sophia de Melo Breyner Andresen (1919-2004) – Grande poeta e ficcionista portuguesa, foi uma combatente da liberdade durante o regime salazarista.

Em Vila Nova de Gaia:
Isabel Van Zeller, de seu nome Maria Isabel Wittenhall Van-Zeller (1749-1819), nasceu em Avintes, na quinta de Santo Inácio, propriedade da família. Foi pioneira da introdução da vacina anti-antivariólica no norte de Portugal. Em 1808 a Real Academia de Ciências atribuiu-lhe a Medalha de Ouro e a concessão do grau de Sócia Correspondente. Foi injustiçada e perseguida pela classe médica sua contemporânea que a acusaram de charlatanice.
Maria Alberta Menéres, de seu nome Maria Alberta Rovisco Meneres de Melo e Castro – foi professora , tradutora, poetisa e escritora de literatura infanto-juvenil, tendo recebido o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens em 1986. Nasceu em Vila Nova de Gaia em 25 de Agosto de 1930.
D. Adozinda Anes, nascida em 9 de Janeiro de 1930, em Salselas, concelho de Macedo de Cavaleiros, no seio de uma família numerosa de gente humilde. Fixou-se em Vila Nova de Gaia e a sua capacidade e empreendedorismo fizeram dela uma verdadeira self made woman e reconhecida empresária na área da restauração numa das mais bonitas praias de Vila Nova de Gaia, na freguesia de Canidelo.
Fanny Owen, filha do Coronel Owen, um conselheiro militar de D. Pedro IV no episódio das lutas liberais, Fanny Owen protagonizou uma história verídica de amor com José Augusto Pinto de Magalhães, de Vilar do Paraíso, sob o olhar de Camilo Castelo Branco. Agustina Bessa-Luís inspirou-se na sua vida imortalizando-a na sua obra literária.

Um poema de homenagem à mulher


Descalça vai para a fonte
Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai formosa e não segura.
Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata.
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote.
Mais branca que a neve pura;
Vai formosa e não segura.
Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado,
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta;
Chove nela graça tanta
Que dá graça a formosura;
Vai formosa e não segura.

de Luís Vaz de Camões


2010.03.05


Bibliografia:


. Ferreira, Manuel do Carmo (2009) - D. Adosinda Anes: duas palavras, uma vida. Vila Nova de Gaia, IKdiagonal.
. Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia, nº 8, junho 1980; nº 23 , novembro 1987; nº 67, dezembro 2008.

A Tragédia que enlutou a Afurada – evocação do dia 27 de Fevereiro de 1892

No dia 27 de Fevereiro evoca-se a grande catástrofe ocorrida no mar, ao largo da Póvoa de Varzim e que atingiu as comunidades piscatórias da Póvoa de Varzim, Matosinhos e Afurada. Da tragédia resultou o naufrágio de quatro lanchas poveiras (perdidas no alto mar, ou despedaçadas contra a praia das Cachinas) e três lanchas da Afurada, em que perecerem 105 pescadores, sendo 70 da Póvoa de Varzim e 35 da Afurada.
Esta catástrofe, ainda hoje lembrada pelas gentes da Afurada, é recordada na toponímia local, como nome de rua. Não haverá família que não tenha perdido algum dos seus entes queridos, tal o número de mortos, de feridos, de viúvas e de órfãos decorrentes do mais trágico acontecimento que enlutou a comunidade piscatória desta freguesia gaiense.
Atente-se ao relato da imprensa gaiense da época:


Horrível desgraça. 
Todos os nossos leitores, decerto, estão ao facto da horrível desgraça que sucedeu no sábado passado no nosso mar, onde se calcula pereceram 105 pescadores, pertencentes ao lugar da Afurada, Matosinhos e Póvoa de Varzim, ficando por esse motivo mães em amparo, as viúvas sem arrimo, e filhos sem pão. Não há memória duma desgraça tamanha”. (O Grilo de Gaia, p. 2)

Das seis lanchas que haviam saído da Afurada para o mar, no dia 26 de Fevereiro, foram três as naufragadas, a saber: a “S. Pedro” que levava 24 homens e perdeu toda a tripulação, a “Senhora da Hora” que levava 20 homens e perdeu 9 e a “Senhora do Carmo”, que levava 23 homens e perdeu 2.

Esta tragédia deu origem a uma enorme onda de solidariedade em todo o País e nomeadamente nas ruas do Porto, Setúbal, Lisboa, Gaia, Braga, Guimarães, Vila do Conde e Póvoa de Varzim onde foram organizados bandos precatórias, normalmente organizados por corporações de bombeiros e compostos por sobreviventes do naufrágio que apelavam à generosidade pública.

Em Vila Nova de Gaia foram várias as individualidades que concorreram com donativos e as autoridades paroquiais e municipais participaram directamente nos peditórios a favor das famílias das vítimas.

Em 14 de Julho de 1893 foi instituída a Creche da Afurada, nascida da subscrição pública promovida pelos proprietários e redacção de “O Comércio do Porto”, para acorrer às vítimas da tragédia do maremoto de 27 de Fevereiro de 1892. A Administração da Creche da Afurada foi entregue à Associação de Creches de Santa Marinha e com a generosa doação de terreno da família J.H. Andresen e o auxílio de Joaquim Fernandes de Oliveira Mendes foi possível construir a Creche da Afurada no Monte das Chãs, sendo a primeira pedra colocada em 1 de Janeiro de 1895. A partir daí a Associação passou a designar-se “Associação de Creches de Santa Marinha e Afurada”. A fundação desta Creche, hoje desactivada, ficou a dever-se à acção de Henrique Carlos de Miranda, Francisco de Sousa Carqueja, Bento Carqueja, José Joaquim Rodrigues de Freitas, Júlio Gama, Família Andresen, Joaquim Fernandes de Oliveira Mendes, Dr. Leopoldo Mourão, entre outros.

Naufrágio na Afurada em 27 de Fevereiro de 1892
Relação das vítimas e respectivo agregado familiar


NOME  (Alcunha)
IDADE
PAI
MAE
MULHER
FILHOS
António Correia Regalado (Barbado)
33
Manoel Correia Regalado
Maria de Oliveira Gomes
Ermelinda d' Oliveira Pinto
5
António Domingues (Perdido)
52
Manoel Domingues
Maria Moreira
Rosa Azeredo
7
António Gomes Remelgado (Cheta)
29
Francisco Gomes Remelgado
Joaquina Moreira
Ermelinda Gomes (Cascareja)
3
António Gomes Remelgado (Manco)
42
Francisco Gomes Remelgado
Anna d' Oliveira
Marianna Gomes Cascareja (Foguete)
1
António Gomes Remelgado (Moreira)
29
Jose Antonio Gomes Remelgado
Joanna Gomes
Joanna de Jesus (Chibante)
2
Bernardo da Silva do Mar (Lança)
44
Antonio da Silva do Mar
Maria Gomes
Emilia d' Oliveira Pinto (Saldanha)
3
Caetano Domingues Ramos (Moleiro)
27
Joao Rodrigues Ramos
Margarida Rodrigues
Mequelina Gomes Ferreirinha
3
Domingos José ( Palhaço)
38
Jao Bernardo da Silva
Maria Luiza da Silva
Margarida Gomes (Manca)
5
Domingos d' Oliveira Granja (Rato)
24
Jose d' Oliveira Granja
Rosa Moreira
Conceição Gomes (Sabe-ler)
1
Francisco José da Silva Barreiros
39
Antonio Jose da Silva Barreiros
Maria Thereza da Silva
Joanna Rosa da Fonseca (Leonor)
1
Francisco Ferreira de Bastos (Chibante)
31
Domingos Fereira de Bastos
Rosa de Jesus
Thereza d' Oliveira Pinto (Americana)
2
Francisco Rodrigues Cação Junior (o da Clara)
32
Francisco Rodrigues Cação
Anna d' Oliveira Especial
Emilia Maria da Silva (a do Elo)
1
João Evangelista (Porrão)
25
Manoel Jose da Silva
Maria Rosaria Ruiva
Rosa Gomes Moreira
2
Joaquim Ferreira dos Santos (Paçô)
26
Manoel Francisco dos Santos
Rita Rodrigues
Rosa d' Oliveira Granja (Taineta)
4
Joaquim Pereira (Simplicio)
28
solteiro
4
José Antonio Novo Remelgado (Rifão)
28
Manoel Gomes Remelgado
Rosa Gomes
Anna Maria Marques
7
José Antonio Remelgado (Manco)
26
Francisco Gomes Remelgado
Maria Rosa Moreira
solteiro
0
José Antonio Valente (Costa)
28
Manoel Valente
Catharina Rodrigues
Thereza d' Oliveira Pinto (Saldanha)
3
José Correa Regalado
27
Manoel Correa Regalado
Maria d' Oliveira Gomes
Rosa Gomes (Moleira)
3
José Ramos (Moleiro)
31
Joao Domingues Ramos
Margarida Rodrigues
Anna d' Oliveira Granja (Taineta)
1
José Ferreira Patricio (Taineta)
34
Antonio Ferreira Patricio
Rosa d' Oliveira Granja
Rita Francisca (Guerra)
2
José Gomes Remelgado (Moreira)
35
Jose Antonio Remelgado
Joanna Moreira
Rosa d' Oliveira Pinto (Truta)
5
José Gomes Remelgado
29
Henrique Gomes Remelgado
Joanna d' Oliveira Dias
Rosa Gomes Ferreirinha
0
José Leonel Maria (Figueiredo)
23
Rosa Luiza
Rosa Gomes (Saldanha)
0
José Maria Composto
30
Manoel Joao Composto
Rosalia Maria
Maria Francisca (Guerra)
4
José d' Oliveira Granja Junior (Rato)
27
Antonio d' Oliveira Granja
Maria Moreira
Antonia Gomes do Mar
4
José de Pinho Girnes (Pesadello)
28
Jose Girnes
Josepha Nunes
solteiro
0
José Rodrigues Cação (o da Clara)
35
Francisco Rodrigues Cação
Anna d' Oliveira
Thereza Gomes (Menineira)
2
Manoel Bernardo da Silva (Bucho)
0
0
Manoel Ferreira Neto (Piloto)
34
Francisco Ferreira Neto
Maria Gomes
Rosa Moreira (Cantora)
5
Manoel José da Clara
0
0
Manoel Mathias
50
Gonçalo Antonio Lopes
Maria Josepha Vieira
Anna Gomes do Mar
0
Manoel d' Oliveira Granja (Rato)
38
Antonio d' Oliveira Granja
Maria Moreira
Maria Gomes (a do Mar)
3
Manoel Valente (Costa)
43
Manoel Valente
Catharina Rodrigues
Maria Gomes Moreira
5
Marcelino de Barros Catharino (Sapateiro)
25
Antonio de Barros Catharino
Thereza Gomes da Ascenção
Anna d' Oliveira Gomes (Regalada)
3
Roque da Silva (Mano)
40
Manoel da Silva
Maria Rosa da Conceição
Margarida Gomes d' Oliveira
2
Severino Correa Regalado
29
Manoel Correa Regalado
Maria d' Oliveira Gomes
Anna Gomes Remelgado (Moleira)
4


25.02.2010

Bibliografia:

. Jornal O Grilo de Gaia, Ano 5, n.º 10, 6 de Março de 1892.

. Costa, Francisco Barbosa da (2003) - S. Pedro da Afurada: notas monográficas, Vila Nova de Gaia, Gailivro.

. Lopes, Manuel (1992) - “Evocação da Tragédia marítima de 27 de Fevereiro de 1892. Memória colectiva que o tempo não apagou” in Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, Vol. XXIX, nºs ½, Póvoa de Varzim, Câmara Municipal.